terça-feira, 15 de setembro de 2009

Senado aprova o Esperanto

Esperanto pode virar disciplina facultativa nas escolas

Comissão de Educação do Senado aprova projeto do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) que determina que o esperanto seja incluído na lista de disciplinas facultativas. Texto ainda precisa passar pela Câmara

Enquanto o Senado se prepara para votar a polêmica reforma eleitoral, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte da Casa aprovou na tarde desta terça-feira (15) um inusitado projeto que inclui o esperanto como disciplina facultativa no ensino médio das escolas brasileiras. O projeto, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), candidato a presidente da República em 2006, inclui um parágrafo no artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases dizendo que as aulas de esperanto são facultativas, mas que “sua oferta se torna obrigatória caso a demanda justifique”. Pelo texto, as escolas terão três anos para se adequar à lei.

Na justificativa do projeto, Buarque, que foi reitor da Universidade de Brasília (UnB), diz que “se a escola quer ser um agente da paz”, o ensino do esperanto “pode ser um fator importante, não só pelo idioma que oferece, como também pelo espírito de pacifismo que simboliza”. O senador cita ainda o criador do idioma, o polonês Ludwik Lejzer Zamenhof, e lembra que seu objetivo era criar uma “língua franca internacional”, mas afirma que “o sonho [de Zamenhof] certamente não se realizará pela generalização do idioma que ele criou, porque o inglês” será o veículo de integração linguística no mundo. Até que isso ocorra, prossegue a justificativa de Cristovam, “o esperanto é um instrumento de comunicação entre centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo e muito, mais que isso, é parte de um imenso movimento pela paz”.

Na comissão, o projeto foi relatado por Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), que recomendou a aprovação da lei pois “a universalização do conhecimento do esperanto pode representar um fomento à paz entre as nações”. Para Mozarildo, isso será muito significativo pois as nações também entram em conflitos de natureza cultural, “como já aconteceu na luta pela hegemonia entre o francês e o inglês e que pode em futuro próximo ocorrer entre o inglês e o mandarim”.

Gerson Camata (PMDB-ES) e Roberto Cavalcanti (PRB-PB) votaram contra o projeto. Segundo a Agência Senado, Camata disse que o projeto é “inútil”, pois quem aprender o esperanto não terá com quem praticar a nova língua. Ainda assim, o texto foi aprovado como decisão terminativa (não precisa passar pelo plenário da casa) e segue direto para a Câmara.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI93275-15223,00.html

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