domingo, 17 de abril de 2011

Razões para aprender Esperanto

O que é o Esperanto?

A Lingvo Internacia (Língua Internacional), mais conhecida como Esperanto, é um idioma planejado, criado por volta da década de 1880 pelo polonês Lázaro Luiz Zamenhof para facilitar a comunicação intercultural. Por ser um idioma lógico e regular, combinação de várias línguas, o aprendizado do Esperanto é mais fácil do que qualquer língua étnica. É o idioma planejado mais bem sucedido, e conforme certas estimativas, com cerca de 3 milhões de falantes em quase todos os países. Sabe-se disso porque existem organizações esperantistas espalhadas em diversas partes do mundo, e a produção cultural ligada ao esperanto (publicações, música, vídeos, etc.) é consumida e produzida em praticamente todas as nações.

Leia o artigo da Wikipédia: Esperanto
Assista ao documentário: O Esperanto é...

Você deve estar se perguntando: por que eu iria querer aprender Esperanto? Você pode encontrar diversas razões. Veja algumas:


Uma cultura global única – Existe uma cultura própria em torno da língua: uma das mais ativas enciclopédias do mundo, a Wikipédia em Esperanto possui 145 mil artigos hoje e cresce constantemente (ao menos em número isso é maior do que a Enciclopédia Britannica online, que possui cerca de 120 mil artigos), mais de 50 mil livros publicados e uma rica literatura, centenas de publicações regulares, música, correspondência, congressos que reúnem entre centenas a milhares de pessoas, TV e vídeos, rádio, intercâmbios culturais e é até língua de família com falantes nativos. É uma língua utilizada em praticamente todas as esferas sociais.

A literatura esperantista prova que o Esperanto é uma língua viva e com cultura. A história da literatura esperantista começou assim que a língua foi publicada em 1887. E apesar de ser uma literatura relativamente jovem, toda sua riqueza é capaz de demonstrar que “o esperanto é uma língua simples, flexível e harmoniosa, útil tanto para uma prosa elegante como para inspirados poemas. É capaz de expressar todos os pensamentos e os mais delicados sentimentos da alma. É a língua internacional ideal.” - Júlio Verne (1828-1905). O escocês William Auld (1924-2006) é considerado o maior poeta esperantista, sendo indicado três vezes ao prêmio Nobel de literatura por suas obras em Esperanto. Além de produções originais, encontram-se traduzidas em esperanto as principais obras dos grandes autores da literatura mundial.

Interesse lingüístico – Graças à estrutura lógica do Esperanto, ao estudar esse idioma você irá adquirir uma sensibilidade aguçada para a compreensão de conceitos lingüísticos e análises gramaticais. Você estudará um vocabulário latino, grego, eslavo, anglo-germânico, etc. – ou seja, você terá contato com o vocabulário internacional que constitui o idioma. Por essas razões, o Esperanto em particular pode intensificar a aprendizagem de línguas subseqüentes. Estudos repetidos em diferentes partes do mundo mostram que alunos que estudaram Esperanto não só aprendem outras línguas mais rapidamente, como também ultrapassam aqueles que não estudaram.

(Mais informações: Valor propedêutico do Esperanto)


Viajar pelo mundo – Uma das grandes vantagens daqueles que falam Esperanto é disporem de uma rede internacional de hospedagem gratuita, o Pasporta Servo (Serviço de Passaporte), pela qual esperantistas estão dispostos a hospedar e acolher outros esperantistas gratuitamente. O serviço é freqüentemente atualizado e dispõe de um livreto impresso e de uma base de dados online contendo milhares de endereços de hospedagem gratuita em cerca de uma centena de países.

Na imagem, as marcações em verde indicam esperantistas que se cadastraram no Pasporta Servo e possivelmente estão dispostos a hospedar outros esperantistas.
http://www.pasportaservo.org/monda-mapo



Congressos – A maior e mais importante reunião de esperantistas é o Congresso Mundial de Esperanto, que tem sido tradição há mais de 100 anos, pois desde então foram realizados todos os anos, a não ser por ocasião das guerras mundiais. Os Congresso Mundial geralmente reúne entre 2 a 3 mil pessoas de diversas nações, e a cada ano ocorre em um país diferente.

Outro ótimo acontecimento no mundo do Esperanto é o Congresso Juvenil Internacional. Centenas de jovens se reúnem num ambiente informal e animado, onde é fácil achar novos amigos nesse divertido intercâmbio cultural.

Há também congressos nacionais, festivais, reuniões e seminários internacionais que ocorrem regularmente. Nesses congressos geralmente se oferecem diversas atividades culturais, palestras, cursos, teatro, concertos, festas e excursões.

Foto: 95o Congresso Mundial de Esperanto - Cuba 2010



Uma língua promissora – O Esperanto tem ganhado cada vez mais destaque no cenário mundial. A UNESCO já recomendou oficialmente que os governos promovam o ensino do Esperanto e a língua já é falada e estudada em escolas e universidades em quase todos os países. A China, por exemplo, uma potência mundial em ascensão, promove o ensino do Esperanto em escolas e universidades, mantém uma revista em Esperanto distribuída internacionalmente, possui uma página oficial do governo em Esperanto e até transmite noticiários televisivos e radiofônicos no idioma. No Brasil, diversas universidades mantêm cursos da língua, e o senado brasileiro aprovou um projeto de lei para implantar o Esperanto como disciplina facultativa no Ensino Médio – a lei aguarda votação na Câmara dos Deputados.



Telejornal chinês em Esperanto


Organizações oficiais – O Esperanto possui diversas organizações oficiais: a Academia de Esperanto (que funciona da mesma forma que as academias de línguas nacionais), a Associação Universal de Esperanto (possui milhares de membros e mantém relações oficiais com a ONU), a Fundação de Estudos Esperantistas (investe milhões de dólares na pesquisa e difusão da língua), a Liga Brasileira de Esperanto (promove a língua no Brasil desde 1908), entre outras.

Viste o site da Liga Brasileira de Esperanto.


Um ideal revolucionário – Já imaginou se o Esperanto se tornar uma língua internacional padrão? A ampla adoção do Esperanto resultaria em:

- Uma economia mundial de bilhões de dólares todos os anos. A União Européia, por exemplo, em 1989 chegou a gastar 1,6 bilhão de dólares em tradução. [Ver Claude Piron - O Desafio das Línguas.]

- Uma enorme economia de tempo. Aprender Esperanto pode ser até 10 vezes mais rápido do que aprender outras línguas.

- Menor perda cultural e humana. Já pensou quanta informação, empregos, oportunidades e até momentos cotidianos as pessoas perdem porque não conseguem dominar uma língua estrangeira? E quantas vidas são perdidas? Um estudo mostra que a comunicação errada entre piloto e controlador de vôo em língua estrangeira contribuiu com pelo menos 11% dos acidentes fatais de avião em todo o mundo . [Ver Claude Piron - O Desafio das Línguas.]

- Democratização na difusão da produção cultural, sem privilegiar culturas de línguas dominantes no cenário mundial.

- Democratização da comunicação internacional. Aprender uma língua estrangeira de forma fluente ainda é um privilégio de poucos. O Esperanto facilitaria enormemente o acesso à informação, comunicação e contatos internacionais de forma muito mais simples e efetiva.

- Maior respeito, promoção e celebração das diferenças, incentivando o conhecimento e divulgação de outras culturas, facilitando a preservação de línguas e culturas ameaçadas. O Esperanto dá a mesma voz a todas as nações em pé de igualdade, por isso descaracteriza a imposição lingüístico-cultural de uma nação sobre as outras.

- Uma maior compreensão entre os povos e maior afinidade entre indivíduos de diferentes etnias por meio de uma forma de comunicação e uma cultura global em comum, pois o Esperanto representa uma aliança entre os povos.

Como você pode ver, não restam dúvidas de que a ampla adoção do Esperanto no mundo resultaria em uma das maiores revoluções de toda a história da humanidade. E quem se arriscará a prever o futuro? Mas uma coisa é certa: revoluções são feitas por seres humanos iguais a nós – e mudanças só podem ocorrer se começarmos a mudar a nós mesmos.

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