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domingo, 17 de abril de 2011

Razões para aprender Esperanto

O que é o Esperanto?

A Lingvo Internacia (Língua Internacional), mais conhecida como Esperanto, é um idioma planejado, criado por volta da década de 1880 pelo polonês Lázaro Luiz Zamenhof para facilitar a comunicação intercultural. Por ser um idioma lógico e regular, combinação de várias línguas, o aprendizado do Esperanto é mais fácil do que qualquer língua étnica. É o idioma planejado mais bem sucedido, e conforme certas estimativas, com cerca de 3 milhões de falantes em quase todos os países. Sabe-se disso porque existem organizações esperantistas espalhadas em diversas partes do mundo, e a produção cultural ligada ao esperanto (publicações, música, vídeos, etc.) é consumida e produzida em praticamente todas as nações.

Leia o artigo da Wikipédia: Esperanto
Assista ao documentário: O Esperanto é...

Você deve estar se perguntando: por que eu iria querer aprender Esperanto? Você pode encontrar diversas razões. Veja algumas:


Uma cultura global única – Existe uma cultura própria em torno da língua: uma das mais ativas enciclopédias do mundo, a Wikipédia em Esperanto possui 145 mil artigos hoje e cresce constantemente (ao menos em número isso é maior do que a Enciclopédia Britannica online, que possui cerca de 120 mil artigos), mais de 50 mil livros publicados e uma rica literatura, centenas de publicações regulares, música, correspondência, congressos que reúnem entre centenas a milhares de pessoas, TV e vídeos, rádio, intercâmbios culturais e é até língua de família com falantes nativos. É uma língua utilizada em praticamente todas as esferas sociais.

A literatura esperantista prova que o Esperanto é uma língua viva e com cultura. A história da literatura esperantista começou assim que a língua foi publicada em 1887. E apesar de ser uma literatura relativamente jovem, toda sua riqueza é capaz de demonstrar que “o esperanto é uma língua simples, flexível e harmoniosa, útil tanto para uma prosa elegante como para inspirados poemas. É capaz de expressar todos os pensamentos e os mais delicados sentimentos da alma. É a língua internacional ideal.” - Júlio Verne (1828-1905). O escocês William Auld (1924-2006) é considerado o maior poeta esperantista, sendo indicado três vezes ao prêmio Nobel de literatura por suas obras em Esperanto. Além de produções originais, encontram-se traduzidas em esperanto as principais obras dos grandes autores da literatura mundial.

Interesse lingüístico – Graças à estrutura lógica do Esperanto, ao estudar esse idioma você irá adquirir uma sensibilidade aguçada para a compreensão de conceitos lingüísticos e análises gramaticais. Você estudará um vocabulário latino, grego, eslavo, anglo-germânico, etc. – ou seja, você terá contato com o vocabulário internacional que constitui o idioma. Por essas razões, o Esperanto em particular pode intensificar a aprendizagem de línguas subseqüentes. Estudos repetidos em diferentes partes do mundo mostram que alunos que estudaram Esperanto não só aprendem outras línguas mais rapidamente, como também ultrapassam aqueles que não estudaram.

(Mais informações: Valor propedêutico do Esperanto)


Viajar pelo mundo – Uma das grandes vantagens daqueles que falam Esperanto é disporem de uma rede internacional de hospedagem gratuita, o Pasporta Servo (Serviço de Passaporte), pela qual esperantistas estão dispostos a hospedar e acolher outros esperantistas gratuitamente. O serviço é freqüentemente atualizado e dispõe de um livreto impresso e de uma base de dados online contendo milhares de endereços de hospedagem gratuita em cerca de uma centena de países.

Na imagem, as marcações em verde indicam esperantistas que se cadastraram no Pasporta Servo e possivelmente estão dispostos a hospedar outros esperantistas.
http://www.pasportaservo.org/monda-mapo



Congressos – A maior e mais importante reunião de esperantistas é o Congresso Mundial de Esperanto, que tem sido tradição há mais de 100 anos, pois desde então foram realizados todos os anos, a não ser por ocasião das guerras mundiais. Os Congresso Mundial geralmente reúne entre 2 a 3 mil pessoas de diversas nações, e a cada ano ocorre em um país diferente.

Outro ótimo acontecimento no mundo do Esperanto é o Congresso Juvenil Internacional. Centenas de jovens se reúnem num ambiente informal e animado, onde é fácil achar novos amigos nesse divertido intercâmbio cultural.

Há também congressos nacionais, festivais, reuniões e seminários internacionais que ocorrem regularmente. Nesses congressos geralmente se oferecem diversas atividades culturais, palestras, cursos, teatro, concertos, festas e excursões.

Foto: 95o Congresso Mundial de Esperanto - Cuba 2010



Uma língua promissora – O Esperanto tem ganhado cada vez mais destaque no cenário mundial. A UNESCO já recomendou oficialmente que os governos promovam o ensino do Esperanto e a língua já é falada e estudada em escolas e universidades em quase todos os países. A China, por exemplo, uma potência mundial em ascensão, promove o ensino do Esperanto em escolas e universidades, mantém uma revista em Esperanto distribuída internacionalmente, possui uma página oficial do governo em Esperanto e até transmite noticiários televisivos e radiofônicos no idioma. No Brasil, diversas universidades mantêm cursos da língua, e o senado brasileiro aprovou um projeto de lei para implantar o Esperanto como disciplina facultativa no Ensino Médio – a lei aguarda votação na Câmara dos Deputados.



Telejornal chinês em Esperanto


Organizações oficiais – O Esperanto possui diversas organizações oficiais: a Academia de Esperanto (que funciona da mesma forma que as academias de línguas nacionais), a Associação Universal de Esperanto (possui milhares de membros e mantém relações oficiais com a ONU), a Fundação de Estudos Esperantistas (investe milhões de dólares na pesquisa e difusão da língua), a Liga Brasileira de Esperanto (promove a língua no Brasil desde 1908), entre outras.

Viste o site da Liga Brasileira de Esperanto.


Um ideal revolucionário – Já imaginou se o Esperanto se tornar uma língua internacional padrão? A ampla adoção do Esperanto resultaria em:

- Uma economia mundial de bilhões de dólares todos os anos. A União Européia, por exemplo, em 1989 chegou a gastar 1,6 bilhão de dólares em tradução. [Ver Claude Piron - O Desafio das Línguas.]

- Uma enorme economia de tempo. Aprender Esperanto pode ser até 10 vezes mais rápido do que aprender outras línguas.

- Menor perda cultural e humana. Já pensou quanta informação, empregos, oportunidades e até momentos cotidianos as pessoas perdem porque não conseguem dominar uma língua estrangeira? E quantas vidas são perdidas? Um estudo mostra que a comunicação errada entre piloto e controlador de vôo em língua estrangeira contribuiu com pelo menos 11% dos acidentes fatais de avião em todo o mundo . [Ver Claude Piron - O Desafio das Línguas.]

- Democratização na difusão da produção cultural, sem privilegiar culturas de línguas dominantes no cenário mundial.

- Democratização da comunicação internacional. Aprender uma língua estrangeira de forma fluente ainda é um privilégio de poucos. O Esperanto facilitaria enormemente o acesso à informação, comunicação e contatos internacionais de forma muito mais simples e efetiva.

- Maior respeito, promoção e celebração das diferenças, incentivando o conhecimento e divulgação de outras culturas, facilitando a preservação de línguas e culturas ameaçadas. O Esperanto dá a mesma voz a todas as nações em pé de igualdade, por isso descaracteriza a imposição lingüístico-cultural de uma nação sobre as outras.

- Uma maior compreensão entre os povos e maior afinidade entre indivíduos de diferentes etnias por meio de uma forma de comunicação e uma cultura global em comum, pois o Esperanto representa uma aliança entre os povos.

Como você pode ver, não restam dúvidas de que a ampla adoção do Esperanto no mundo resultaria em uma das maiores revoluções de toda a história da humanidade. E quem se arriscará a prever o futuro? Mas uma coisa é certa: revoluções são feitas por seres humanos iguais a nós – e mudanças só podem ocorrer se começarmos a mudar a nós mesmos.

domingo, 27 de março de 2011

CURSO DE ESPERANTO 2011 – INSCRIÇÕES ABERTAS!

Já pensou aprender uma língua em tempo recorde, entrar em contato com uma cultura global, conversar com pessoas de diversas partes do mundo e quem sabe até utilizá-la em viagens internacionais? Já pensou aprender uma língua livre que foi feita para todos os povos... uma língua mais fácil e que te possibilitará fazer amigos dispostos a te receber em seus países, te acomodar em seus lares e mostrar seus hábitos, valores e costumes? Se você duvida que isto seja possível, o desafio está lançado: dedique-se ao Curso de Esperanto na Uniplac.
As inscrições poderão ser feitas no setor de protocolo até o dia 16/04, data que marca o início das atividades. As aulas acontecerão aos sábados, das 14h às 15:45. O valor total do curso é de apenas R$30,00, dinheiro que será parcialmente investido na aquisição de livros para a biblioteca da Uniplac. As aulas estarão abertas a todos, jovens e adultos, e devido ao novo método que será utilizado, esta edição adapta-se tanto às necessidades de aprendizagem dos alunos que já cursaram os módulos anteriores, quanto daqueles que não possuem conhecimento algum do idioma.



___NOSSO MÉTODO _____________________________
Como vamos aprender outra língua? Começaremos decorando o alfabeto, repetindo os sons isoladamente... as sílabas, depois iremos aprender de cor listas de palavras, memorizaremos as regras gramaticais e finalmente formaremos frases, certo? - Errado!
Analise: como nós brasileiros aprendemos a língua portuguesa desde o berço? Desde o início, ouvimos as pessoas ao nosso redor falando coisas que não entendíamos e aos poucos os sons se tornavam cada vez mais familiares. Ouvíamos a língua em diferentes contextos e assim começamos a entender cada vez mais detalhes. Às vezes tentávamos nos comunicar balbuciando o que ouvíamos – aí quando crescemos e nos demos conta, já estávamos falando!
É essa forma natural de aprender uma língua que iremos simular no nosso Curso de Esperanto. Utilizaremos o método de imersão total, que significa que você estará imerso em diálogos autênticos e completos, e manifestações integrais na língua. Imagine que o Esperanto é o mar – você será jogado lá dentro! Mas não se preocupe, você não irá se afogar. Mergulhe sem medo e tente apreciar a paisagem submarina.
Já na nossa primeira lição, iremos assistir a um capítulo de uma telenovela totalmente em Esperanto. Você irá ouvir os atores conversando na língua como se fossem situações reais do cotidiano. Não se preocupe em entender tudo imediatamente. Lembre-se: assim como você aprendeu o português no berço, sua confiança se desenvolverá à medida que for assistindo aos episódios e percebendo que você está entendendo cada vez mais o contexto do que está ouvindo. Você verá os resultados assim que se der a oportunidade de praticar e usar a língua.
O material que utilizaremos chama-se Esperanto, La Pasporto al la Tuta Mondo (Esperanto, O Passaporte ao Mundo Inteiro). Trata-se de um vídeo-curso composto por 15 episódios-lições com cerca de 30 minutos cada. Há ainda o material de apoio: são livros com a transcrição de todos os diálogos, explicações e exercícios. Os vídeos são organizados como um seriado de televisão que mostra as aventuras de uma família esperantista e seus amigos.
A partir desse material, desenvolveremos as atividades subseqüentes em sala de aula, o que lhe permitirá capacitar-se no emprego de itens gramaticais básicos e na comunicação oral e escrita por meio do Esperanto, e introduzirá o conhecimento de elementos culturais vinculados ao idioma. Nossas aulas lhe permitirão dar os primeiros passos para entrar no mundo do Esperanto, e fazer parte de um grupo de milhões de pessoas que fazem dessa língua um veículo vivo e dinâmico para transmitir seus pensamentos e sua cultura.

sábado, 24 de abril de 2010

A CULTURA ESPERANTISTA

O Esperanto, ou Lingvo Internacia, é uma língua planejada, criada por volta da década de 1880 pelo polonês Ludoviko Lazaro Zamenhof. “Esperanto” significa “aquele que tem esperança”, pseudônimo utilizado por Zamenhof ao divulgar a língua. Por ser um idioma lógico e regular, o aprendizado do Esperanto é mais fácil do que qualquer língua nacional. É derivado de vários idiomas, como o grego, línguas latinas, eslavas e germânicas, e sua estrutura assemelha-se a línguas orientais. É o idioma planejado mais bem sucedido, e conforme certas estimativas, com cerca de 3 milhões de falantes em todos os continentes e quase todos os países. O que motivou sua criação foi o ideal de paz e compreensão entre os povos por meio de uma língua politicamente neutra, que não pertencesse a nenhum povo específico, mas a todos os povos.

Com mais de um século de história, criou-se uma cultura própria em torno da língua: mais de 50 mil livros publicados* e uma rica literatura, centenas de publicações regulares, cerca de 130 mil artigos na enciclopédia Wikipedia (em abril de 2010), música, correspondência, congressos que reúnem entre centenas a milhares de pessoas, TV e vídeos, rádio, intercâmbios culturais e até língua de família com falantes nativos. É uma língua utilizada em praticamente todas as esferas sociais. Trata-se de fenômeno lingüístico fantástico e digno de estudo: uma língua falada por uma única pessoa há mais de cem anos é hoje falada em mais de cem países por milhões de pessoas.

O Esperanto não representa apenas o ideal de que pessoas de todas as partes do mundo se entendam, mas sobretudo de que se compreendam. Ele carrega uma ideologia de paz e fraternidade e, ao contrário de uma língua imperialista, incorpora em si todas as culturas que por ele são transmitidas e representa uma aliança entre os povos. Isso, língua nacional nenhuma poderá fazer. O Esperanto não é só uma língua, é também um movimento que, entre outras coisas, prega o respeito à diversidade, democracia, solidariedade, emancipação humana, uma cultura global e a paz.

Enquanto todos nós, seres humanos, não formos capazes de adotar uma língua neutra em comum, muitas nações continuarão afastadas, incompreensíveis e hostis umas às outras.

image Um dos homens é chinês e o outro é russo. O chinês não sabe alíngua russa, e o russo não sabe a língua chinesa. Nenhum deles sabe a língua esperanto. Dessa forma eles não se compreendem e não são amigos.

image Um dos homens é turco e o outro é francês. O turco não sabe a língua francesa, e o francês não sabe a língua turca; porém ambos conhecem a língua esperanto. Dessa forma eles compreendem um ao outro e são amigos e irmãos.

Figuras extraídas de Universala Esperanto Metodo, WM. S. Benson. Nova Iorque, 1932.
*Cartilha de Esperanto. Alberto Flores, Vicente Paulo Werneck. Societo Lorenz. Rio de Janeiro, 2000.

 

Na capa do nosso livro, podemos ver diversas imagens referentes a instituições, símbolos, cultura e fatos ligados ao Esperanto. Vamos analisar cada uma delas.

clip_image004Lázaro Luiz Zamenhof (Białystok, 15 de dezembro de 1859 — Varsóvia, 14 de abril de 1917) foi um oftalmologista e filólogo judeu polonês. Conhecia russo, iídiche, polonês, alemão, francês, latim, grego, hebraico, inglês, italiano, espanhol e lituano. A partir do seu vasto conhecimento lingüístico, criou o Esperanto. Zamenhof cresceu na cidade de Bialystok, que naquela época era parte do Império Russo, mas atualmente pertence à Polônia. Naquela época, falavam-se muitas línguas em Bialystok, gerando muitas dificuldades de compreensão entre as diversas culturas. Isso motivou Zamenhof a buscar uma solução para o problema, e durante anos, foi desenvolvendo o esperanto em um processo longo e trabalhoso. Em 1887 publica o primeiro livro na “Lingvo Internacia” (Língua Internacional), e temendo a censura do governo russo contra o seu projeto, utilizou o pseudônimo Dr. Esperanto (aquele que espera), daí surgiu o nome como a Lingvo Internacia é mais conhecida hoje.

clip_image006A bandeira esperantista é composta por um fundo verde, com um quadrilátero no canto superior esquerdo, que contém uma estrela verde. O verde simboliza esperança, o branco simboliza paz e neutralidade, e a estrela de cinco pontas representa os cinco continentes (em sua contagem tradicional). A bandeira foi criada pelo Clube de Esperando de Boulogne-sur-Mer, inicialmente para uso próprio, mas foi adotada como bandeira mundial do esperanto por decisão do primeiro Congresso Universal de Esperanto, que ocorreu em 1905 naquela mesma cidade.

clip_image008O Símbolo do Jubileu Esperantista (jubilea simbolo) foi adotado em 1987 como marco do centenário do Esperanto. Com o "E" Latino de um lado e um "Э" Cirílico do outro, o símbolo pode ser interpretado como sendo a união dos hemisférios Leste e Oeste. O símbolo foi selecionado em um concurso feito pela UEA – quem ganhou o concurso foi o brasileiro Hilmar Ilton S. Ferreira em 1983, que propôs o desenho de Janette Lindo Ferreira.

clip_image010 Fundada em 1905, a Academia de Esperanto (AdE) é uma instituição lingüística independente, cuja tarefa é conservar e proteger os princípios fundamentais da língua Esperanto e controlar a sua evolução, do mesmo modo que as demais Academias de línguas nacionais. A Academia consiste em 45 membros, que são nomeados para um período de 9 anos. Normalmente são esperantólogos renomados, pedagogos em Esperanto ou escritores.

clip_image012 A Associação Universal de Esperanto (Universala Esperanto-Asocio - UEA), fundada em 1908, é a maior organização internacional de falantes de Esperanto, com membros em 120 países (segundo seu anuário de 2008) e mantém relações oficiais com as Nações Unidas e a Unesco. Além dos cerca de seis mil sócios individuais, as 67 seções nacionais filiadas a UEA contribuem com 12 mil sócios. A UEA organiza congressos anuais em diferentes países dos quais normalmente participam entre 1500 a 3000 pessoas; mantém a maior editora e livraria esperantistas do mundo. Sua biblioteca central, na Holanda, possui mais de 30 mil livros esperantistas.

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A TEJO (Tutmonda Esperantista Junulara Organizo – Organização Mundial da Juventude Esperantista) é a seção juvenil da UEA, com estrutura e diretoria próprias. A TEJO organiza anualmente o Congresso Internacional da Juventude (IJK - Internacia Junulara Kongreso) em diferentes países. São festivais de uma semana com concertos, palestras, excursões e lazer que atraem jovens do mundo todo.

clip_image016O Congresso Universal de Esperanto tem sido tradição há mais de 100 anos, pois desde então foram realizados todos os anos, a não ser por ocasião das guerras mundiais. Reúne em média duas mil pessoas, e a cada ano ocorre em um país diferente. A imagem mostra o cartão postal do 9º Congresso Universal de Esperanto, em Bern, Suíça, 1913, que reuniu cerca de 1200 pessoas de 30 países.

clip_image018A Liga Brasileira de Esperanto, fundada em 1907 e reconhecida de utilidade pública em 21 de outubro de 1921, coordena o Movimento Esperantista no Brasil e atua de diversas maneiras: edita a revista Brazila Esperantisto; tem um serviço de venda de livros com obras em e sobre o Esperanto; possui uma biblioteca; organiza cursos por correspondência; intermedeia assinatura de revistas e jornais esperantistas e promove anualmente os Congressos Brasileiros de Esperanto.

clip_image020 Todos aqueles que falam Esperanto dispõem de uma rede internacional de hospedagem gratuita, o Pasporta Servo (Serviço de Passaporte). O serviço publica anualmente um livreto com uma lista de hospedagem. Para o ano de 2006, por exemplo, havia 1320 hospedeiros em 92 países. Se você quer viajar pelo mundo, o Esperanto possibilita-lhe fazer amigos que realmente conhecem a cultura local e que estão dispostos a acomodá-lo em seus lares e mostrar seus hábitos, valores e costumes. Obviamente você pode falar um idioma estrangeiro, viajar e encontrar pessoas que falem a mesma língua. Mas será que essas pessoas estarão dispostas a acolhê-lo como amigo e fazer esse intercâmbio cultural? Claro que você pode tentar, mas é só com o Esperanto que esse código é universal.

clip_image022A versão da famosa Wikipedia em Esperanto, a Vikipedio, está entre as maiores e mais ativas enciclopédias do mundo, atualmente (Abril de 2010) contém cerca de 130 mil artigos.

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O Lernu! (em português: Aprenda!) é um dos maiores sites dedicados ao estudo do Esperanto. O portal disponibiliza gratuitamente diversas ferramentas: cursos do básico ao avançado, jogos, dicionários em várias línguas, gramáticas, sistema de exames, livros, música, histórias narradas e vídeos. Há também serviço de comunicação: sala de bate-papo, fóruns de discussão e notícias sobre o Esperanto. Lá você pode se registrar, criar seu perfil e se comunicar com pessoas do mundo todo e quem sabe até encontrar esperantistas da sua cidade. O site cresce ainda mais: são colocados continuamente mais materiais, e centenas de pessoas de diversas partes do mundo se registram toda semana. Atualmente (março de 2010) existem mais de 80 mil registros de usuários e só nesta semana se registraram 300 novos usuários. (lernu.net)

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La Pasporto al la Tuta Mondo (O Passaporte ao Mundo Inteiro) é um curso em vídeo bastante completo. São 16 episódios-lições com cerca de 30 minutos cada. Há ainda o material de apoio: são livros com a transcrição de todos os diálogos, explicações e exercícios. Os vídeos são organizados como um seriado de televisão que conta aventuras de uma família esperantista e seus amigos. Você pode encontrá-lo facilmente na internet (youtube), baixar os livros via torrent, ou comprar o material pelo site oficial. O curso é de iniciativa da Esperanto–USA. Tanto os organizadores, quanto os atores e outros esperantistas envolvidos no projeto trabalharam voluntariamente. Download do material de apoio (em português): http://www.4shared.com/dir/12674702/db19ded5/sharing.html

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O "Kurso de Esperanto" é um famoso programa multimídia gratuito disponível em várias línguas. São 12 lições, com músicas, exercícios de pronúncia e compreensão, exercícios gramaticais, entre outros recursos. Você ainda pode solicitar o acompanhamento de um professor através do site.

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Em 1932, Dr. Benson publicou seu Universala Esperanto Metodo. Trata-se de uma obra bastante ampla com 559 páginas e mais de 11 mil figuras. Tornou-se um clássico no ensino do Esperanto. Você pode desfrutar da obra via internet, parte digitalizada em vídeo no youtube, ou pode fazer o download do livro em PDF. http://www.4shared.com/dir/12674702/db19ded5/sharing.html

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Pessoas de diversas partes do mundo que acessaram o Google no dia 15 de dezembro de 2009 depararam-se com a bandeira do Esperanto. O Google celebrou os 150 anos do nascimento Zamenhof. Em função disso, informações sobre o idioma e seu criador alcançaram o topo da lista nas buscas, e o Esperanto virou notícia em vários sites.

Além de divulgar a língua na sua data comemorativa, o Google oferece uma versão de seu site em Esperanto e também o exibe na lista de línguas na opção de pesquisa avançada, o que permite pesquisar somente páginas escritas em Esperanto. ( http://www.google.com/intl/eo/ ) Esse é um exemplo de como a popularidade da língua tem crescido, especialmente com o avanço da Internet.

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A Bjalistoka Esperanto-Televido é um canal de televisão em Esperanto, de Bialistok (Polônia). Você pode assistir via internet a reportagens que falam sobre a região, cultura, festas e costumes de Bialistok e notícias sobre o mundo esperantista. http://www.tvbialystok.pl/tvesperanto/

Desde a década de 1920, é possível ouvir transmissões de rádio na Lingvo Internacia. Hoje em dia, podemos também ouvir pela clip_image038internet. Dentre os nomes mais conhecidos do rádio em Esperanto estão: China Radio Internacional, Radio Boa Nova-Parolu Mondo clip_image036(Brasil), Radio Havano Kubo (Cuba), Pola Radio (Polônia), Radio Vatikana (Vaticano), Radio Esperanto (Rússia) e Radio Verda (Canadá)

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 Monato (Mês) é uma das centenas de revistas em Esperanto. A Monato publica mensalmente artigos sobre política, cultura e economia. É impressa desde 1979 na Bélgica e distribuída em 65 países. A revista possui 100 correspondentes em 45 países.
A revista mais antiga em Esperanto foi La Esperantisto, publicada entre 1889 e 1895. Além dela, surgiram outros milhares de títulos de revistas e periódicos em Esperanto. Em 1903 surgiu a revista católica, Espero Katolika - revista em esperanto mais antiga ainda publicada hoje.
Algumas das revistas mais conhecidas são: Esperanto, Fonto, Heroldo de Esperanto, Kontakto, El Popola Ĉinio, Rok-Gazet’, etc.
O site http://www.gazetejo.org mantém um acervo que atualmente apresenta mais de 1700 exemplares digitalizados de revistas em Esperanto de várias épocas. Há também muitas clip_image042publicações online. O site http://www.eventeo.net, por exemplo, apresenta notícias em Esperanto.

clip_image044A Esperanto-USA é a principal organização esperantista dos Estados Unidos. Fundada em 1952, é uma organização educacional sem fins lucrativos que promove o Esperanto por meio de cursos, congressos, publicações, etc.

Algumas pessoas se afastam e outras se aproximam do Esperanto acreditando que se trata de uma língua anti-estadunidense ou anti-inglês. Obviamente, como qualquer língua, as pessoas podem usar o Esperanto para transmitir ou representar qualquer tipo de idéia, ideologia ou crença. No entanto, o Esperanto em si não é anti-língua ou anti-nação alguma, muito pelo contrário, sua criação tem como caráter a preservação de línguas e culturas e a igualdade entre os povos. Daí a seleção dessa figura, da Esperanto-USA, para a capa do nosso livro.

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Fundada em 1968 nos EUA, a Esperantic Studies Foundation (Fundação de Estudos Esperantistas) promove a pesquisa, estudo e ensino do Esperanto, além de investir em cursos, livros, publicações, sites e outras formas de difusão da língua no mundo todo. Tem sido responsável pelo suporte de milhões de dólares a diversas iniciativas como o Pasporto al la Tuta Mondo e o Lernu.net.

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A Akademio Internacia de la Sciencoj San Marino (AIS - Academia Internacional das Ciências São Marino) é uma instituição científica de caráter universitário que utiliza o Esperanto como língua oficial. Criada em 1983, a Academia localiza-se em São Marino, um pequeno país europeu, e atua em diversos países. A instituição trabalha com várias áreas: ciências naturais, ciências estruturais, ciências humanas, cibernética, filosofia, etc. Concede os graus de bacharelado, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Consiste em cerca de 250 cientistas, e saber Esperanto é condição para ser membro da AIS.

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Muitos daqueles que estudam Esperanto no Brasil já viram em livros relacionados à língua o selo da FEB (Federação Espírita Brasileira). Isso porque a FEB é uma das maiores editoras de livros em Esperanto no Brasil. Por todo o país, grupos espíritas mantém cursos regulares do idioma. Por isso algumas pessoas acreditam que o Esperanto é uma língua de espíritas, e isso atrai alguns e afasta outros. Isso ocorre particularmente no Brasil porque os pioneiros na difusão da língua internacional por aqui foram justamente os espíritas. Então podemos dizer com toda a segurança que o Esperanto é sim uma língua de espíritas, e também de católicos, protestantes, budistas, muçulmanos, macumbeiros... é inclusive uma língua de ateus (existe a Organização Internacional de Esperantistas Ateus).

No meio católico, por exemplo, o Esperanto está presente em publicações, emissões de rádio, missas, etc. A União Internacional Católica Esperantista existe desde 1910. Todos os papas expressaram seu apoio ao Esperanto desde sua criação. O Papa João Paulo II, por exemplo, falava a língua, e em cerimônias freqüentemente saudava na língua internacional milhões de pessoas.

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Fundada em 1957, Bona Espero é uma comunidade esperantista e uma escola-fazenda em Goiás, na qual esperantistas acolhem, protegem e ensinam crianças carentes sem família. Além de estudarem Esperanto, as crianças recebem educação por meio de professores pagos pelo Estado. A comunidade recebe ajuda financeira de esperantistas de outros países, porém a atividade agrícola da fazenda quase garante a auto-suficiência em alimentos, e todos seguem uma dieta vegetariana. Esse modelo de comunidade esperantista já serviu como inspiração para música e livros.

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Estima-se que haja pelo menos mil falantes nativos de Esperanto atualmente, ou seja, pessoas que aprenderam a falar a língua desde o berço. Para crianças, existe o Congresso Infantil de Esperanto, que ocorre junto com o congresso internacional.

clip_image056clip_image058A EUROKKA (Esperanto-Universala-Rok-Organizo, Kolektiva Komunik-Asocio) é uma organização que procura principalmente promover e divulgar a cultura musical esperantista. A organização mantém a Vinilkosmo, maior gravadora de música esperantista. Entre os nomes mais famosos da música em esperanto estão: Kore, Dolchamar, Team’, Persone, Supernova, La Porkoj, Merlin, Jomo, entre outros. No site www.musicexpress.com.br é possível ouvir centenas de canções na língua internacional.

clip_image060A literatura esperantista prova que o Esperanto é uma língua viva e com cultura. A história da literatura esperantista começou assim que a língua foi publicada em 1887. E apesar de ser uma literatura relativamente jovem, toda sua riqueza é capaz de demonstrar que “o esperanto é uma língua simples, flexível e harmoniosa, útil tanto para uma prosa elegante como para inspirados poemas. É capaz de expressar todos os pensamentos e os mais delicados sentimentos da alma. É a língua internacional ideal.” - Júlio Verne (1828-1905). O escocês William Auld (1924-2006) é considerado o maior poeta esperantista, sendo indicado três vezes ao prêmio Nobel de literatura por suas obras em Esperanto. Dentre os autores mais conhecidos, estão: Sylla Chaves (Brasil), Eli Urbanová (Checoslováquia), Claude Piron (Suíça), Kálmán Kalocsay (Hungria) e Julio Baghy (Hungria). Além de produções originais, se encontram traduzidas em esperanto as principais obras dos grandes autores da literatura mundial.

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Mazi en Gondolando é um curso de esperanto em desenho animado produzido pela BBC (Londres), Instituto Internacional de Esperanto (Holanda) e TOMMY Publishers (Polônia).

(Informações extraídas da Wikipédia ou dos próprios sites mencionados.)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Convite: Aula sobre História e Cultura do Esperanto

Que tipo de língua é o Esperanto? Quem o criou? Onde, quando e por quê? Onde essa língua é falada? Quantas pessoas falam? De que forma o Esperanto é usado? O que leva alguém a estudar esse idioma? O que eu ganho investindo meu tempo e esforço aprendendo Esperanto? Vale a pena?

Eis algumas das dúvidas mais freqüentes para quem ainda não conhece muito sobre a língua internacional Esperanto. E justamente essas perguntas serão respondidas na nossa próxima aula. Esse encontro em particular, além de ser interessante para os alunos do curso, pode ser proveitoso também para pessoas de fora, que não participarão das aulas, mas que têm interesse em saber um pouco mais sobre a língua. Portanto, o convite está aberto a todos.

É sábado, dia 22/04 na Uniplac, das 14h às 15h30, sala 1127.

Vejo vocês lá!

sábado, 17 de abril de 2010

Nosso Método

Mazi en Gondolando é um vídeo-curso de Esperanto desenvolvido pela BBC (Londres), Instituto Internacional de Esperanto (Holanda) e TOMMY Publishers (Polônia). O livro foi organizado por Edvaldo Sachett da Silva (professor de Esperanto na Uniplac), tendo como base diversas fontes, como o material disponível no site da Universidade de Rochester, Nova Iorque, onde o vídeo Mazi en Gondolando também é utilizado.

Esta é a segunda versão do livro, que está cheio de novidades.

Características do novo curso:

- Um método moderno que, além do livro ricamente ilustrado, faz uso de recursos de áudio e vídeo.
- Desenvolvido para ser usado tanto em sala de aula, como por um autodidata, para várias idades.
- Enfoque em todas as habilidades lingüísticas (compreensão auditiva, conversação, leitura e escrita).
- Transcrição de todos os diálogos do vídeo, com tradução imediata de todas as frases.
- Uma centena de exercícios, todos com respostas.
- Centenas de ilustrações para facilitar o aprendizado.
- Gramática clara e consistente.
- Dezenas de textos e leituras complementares com áudio.
- Revisões.
- Vocabulário temático ilustrado, com quase 200 figuras sobre animais, plantas, alimentos, profissões, partes do corpo, vestuário, transporte, etc.
- Revisão geral de vocabulário, com centenas de frases e definições em esperanto.
- Vocabulário geral esperanto-português/português-esperanto, somando mais de 1700 entradas.
- Informações sobre a cultura esperantista.

São mais de 160 páginas cheias de novidades!

capa esperanto mazi versao 2

Link para download:

http://www.4shared.com/dir/12674702/db19ded5/sharing.html

Caros alunos,

A partir da próxima aula, passaremos a utilizar este livro. Além de estar disponível no link acima, a cópia do material também pode ser obtida no xerox, no Centro de Convivência da Uniplac.

E quem ainda está pensando em se matricular mas ainda não compareceu, ainda dá tempo!  Será na segunda aula que iremos entrar mais a fundo nas questões lingüísticas do Esperanto.

Vejo vocês lá!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Esperanto-Uniplac 2010 – Inscrições Abertas

A Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac) abre a segunda turma do curso básico de esperanto. Uma língua de fácil aprendizagem, criada como língua franca internacional para toda população mundial. As inscrições podem ser feitas até o dia 10 de abril no setor de protocolo. Essa data também marca o início das atividades que acontecem aos sábados à tarde. O professor Edvaldo da Silva explica que o esperanto foi inventado para facilitar a comunicação entre os povos sem qualquer tendência cultural, religiosa ou política. Ele ainda diz que quem aprende o esperanto tem alguns privilégios como viajar pelo mundo todo conhecendo novas culturas, gratuitamente. “Os esperantistas recebem, apresentam a vida familiar e cotidiana do país de graça a outro esperantista, como aconteceu ano passado quando recebemos na Universidade um casal francês”, exemplifica destacando a importância do intercâmbio cultural.O investimento no curso que tem 25 horas é de R$ 30. Esse valor recebido como inscrição será revertido em doações de livros à Biblioteca da Uniplac. “Em Lages, são encontradas poucas obras em esperanto. Queremos facilitar o ensino e divulgar o idioma, por isso vamos utilizar esse dinheiro para compra de livros”, revela o professor que atua voluntariamente. Mais informações sobre a cultura esperantista em Lages podem ser encontradas na internet pelo endereço esperanto-uniplac.blogspot.com .

Publicado em 18/03/2010 por Assessoria de Comunicação Social.

De 10 de abril a 31 de julho
Local: Uniplac, sala 1127
Horário: Sábados, das 14h às 15h30
Valor da Inscrição: R$30,00 (que serão doados)
Certificação de 25 horas

 

Divulgação no site da Uniplac:

http://www.uniplac.net/noticias/index.php?id_noticia=2248

esperanto-uniplac 2010

domingo, 10 de janeiro de 2010

Reações Psicológicas ao Esperanto

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Não é novidade que grande parte dos esperantistas já sofreram algum tipo de censura, rejeição, reprovação, ridicularização ou preconceito. Claro que na maioria das vezes talvez isso não ocorra em um grau tão sério (absolutamente nada comparado às ações de ditaduras que perseguiam e matavam esperantistas, chegando a dizimar a família de Zamenhof). Contudo, não é assim tão raro se deparar com pessoas que apresentam reações explosivas quando o assunto é Esperanto, ou simplesmente pessoas que, a respeito da língua, fazem questão de expor sua ignorância ostentando-a como verdade. Tenho conhecimento da existência do Esperanto já há vários anos, e nesse tempo me deparei com os mais diversos ataques contra a língua, geralmente por pessoas que, percebe-se, pouco dela ouviram falar. Por que isso acontece?

Motivado por esse questionamento, encontrei um artigo bastante esclarecedor do linguista e psicólogo Claude Piron. E não encontrando uma versão em português disponível na internet, empenhei-me em traduzi-lo a fim de facilitar a divulgação e quem sabe contribuir para a diminuição desse problema.

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Por Claude Piron

-linguista, psicólogo, tradutor da ONU e da Organização Mundial da Saúde-

1. Reações divergentes

Para um psicólogo investigando as reações à palavra "Esperanto", dois fatos são imediatamente observáveis:

1)      o grande número de pessoas convidadas a dar sua opinião têm muito a dizer sobre o assunto;

2)      elas tomam tais afirmações por auto-evidentes, e em muitos casos citam espontaneamente várias declarações que são contrárias à realidade verificável, por exemplo: "ninguém jamais escreveu um romance diretamente em Esperanto", "O Esperanto é uma língua que ninguém fala", "não há crianças que o tenham como língua materna", etc.

Um bom exemplo dessas convicções se encontra em uma carta de um leitor da revista americana Time:

O Esperanto não tem uma história cultural, nenhuma literatura genuína e nenhum monolíngue ou mesmo falantes que o tenham como primeira língua. (Wells, 1987).

Além disso, muitas das pessoas questionadas demonstram todas as indicações de reação emocional. Alguns reagem com entusiasmo, com fervor. Mas a maioria olha para o Esperanto com presunção, como se fosse algo obviamente infantil. A pessoa em questão demonstra que o Esperanto não é para ser levado a sério, e seu tom é arrogante, irônico ou sarcasticamente condescendente para com os “ingênuos” que apoiam a ideia.

Se, a fim de se obter uma reação de referência para comparação, o pesquisador pede ao sujeito para, da mesma forma, dar sua opinião sobre o Búlgaro ou Indonésio, obtém-se uma resposta completamente diferente. O sujeito leva cerca de um minuto para contar em um tom de voz perfeitamente neutro tudo o que ele tem a dizer sobre essas línguas, geralmente que não sabe nada.

O contraste é surpreendente. E revela-se ainda mais surpreendente quando se testa seu conhecimento por meio de questões precisas sobre literatura, distribuição geográfica, possibilidades expressivas, etc. De imediato torna-se evidente que as impressões do sujeito sobre o Esperanto são quase totalmente equivocadas, muito mais do que os fragmentos de conhecimento que ele consegue lembrar sobre as línguas de referência. Por que ele está ciente de sua incompetência em um caso mas não no outro?

Presumivelmente, línguas como o Búlgaro e o Indonésio são vistas como pertencentes ao mundo dos fatos, enquanto que o Esperanto é sentido como uma proposta. Fatos são incontestáveis. Diante de uma proposta, sente-se a necessidade de aprovar ou reprovar e então defender seu ponto de vista. Mas por que o Esperanto não é visto como pertencente à esfera dos fatos? E por que é que a reação, tão frequentemente, mostra-se tão emocional? O envolvimento da escala emocional não é restrito a conversas individuais, como testemunha a citação seguinte, retirada de um artigo sobre o ensino do Latim, um artigo que, não fosse isso, seria expresso em um tom neutro e informativo:

Glória então ao Latim, e abaixo o Esperanto, essa mistura podre de artificialidade e de esperanças ilusórias!! (G.P., 1985).

Essa frase, sem relação com o restante do texto, parece ser uma explosão emocional imprevisível irrompendo sabe-se lá de qual profundeza. Por quê?

2. Os mecanismos de defesa

Sob análise, as declarações sobre o Esperanto ou sobre o campo mais vasto da comunicação internacional, declarações que podem ser facilmente obtidas ao pedir as pessoas para falarem livremente sobre o assunto, ou declarações que são apresentadas nas reuniões oficiais dedicadas a essa questão, caracterizam-se pela ação dos chamados "mecanismos de defesa". Esse é o nome dado às táticas inconscientemente organizadas para evitar enfrentar uma realidade supostamente ameaçadora (Freud, Anna, 1937). Eis alguns exemplos:

a) Negação.
Esperanto é tratado como inexistente em contextos nos quais seria lógico tomá-lo em consideração. Por exemplo, o volume Le Langage na série enciclopédica La Pléiade (Martinet, 1968) que, em 1525 páginas tratando desde gírias e pidgin a tradução e afasia, não contém qualquer menção, nem mesmo um único parágrafo, deste fenômeno surpreendente: uma língua conhecida somente por uma pessoa há cem anos está em uso hoje em mais de cem países. Do mesmo modo, a experiência acumulada do Esperanto como língua de conferência é considerável; em 1986 não houve um único dia em que não ocorreu, em algum lugar no mundo, um congresso, uma reunião ou uma conferência internacional, na qual a língua de mediação foi o Esperanto (uma lista apareceu no Heroldo de Esperanto de 20 de março de 1986). Quando a ONU, por exemplo, está fazendo uma análise detalhada dos problemas encontrados na comunicação linguística, seria razoável considerar essa experiência, mesmo que apenas para rejeitá-la, após análise, com base em razões explícitas. Mas não é isso o que acontece. (King et al, 1977; Allen et al, 1980; Piron, 1980).

Mesmo um linguista considerando precisamente o tipo de comunicação realizada todos os dias através do Esperanto aborda a questão como se essa experiência nunca tivesse acontecido:

Enquanto os economistas estão tentando criar um Eurodólar, por que não deveríamos tentar criar também uma Eurolíngua? (Lord, 1974, p. 40).

A primeira reação de um empresário quando enfrenta um problema de produção é considerar todas as soluções implementadas noutros lugares, a fim de descobrir, antes de procurar uma nova saída, se não há em algum lugar um sistema que lhe convenha. Essa maneira de fazer as coisas, tão natural na vida cotidiana, praticamente nunca é adotada quando o assunto é a comunicação internacional. Nesse contexto, estamos de fato diante de uma negação da realidade, no sentido psicológico.

b) Projeção.
Da-se o nome de projeção ao fato de se atribuir a alguém elementos psíquicos que encontramos em nós mesmos, mas dos quais não estamos cientes. Um bom exemplo é fornecido pela frase:

Os esforços para desenvolver linguagens universais que possam ser adotadas sem prejuízos e aprendidas sem problemas - línguas como o Esperanto - representam uma intenção nobre combinada com uma ignorância essencial do que é língua e como ela funciona. (Laird, 1957, p. 236).

O Esperanto cumpre todos os critérios linguisticamente aceitos para definir uma língua (Martinet, 1967, p. 20). Quando um autor, sem pesquisar e sem basear sua opinião em argumentos concretos, parte do princípio de que isso é falso, não seria ele exatamente o ignorante que ele facilmente vê nos outros? [Sobre "Como a língua funciona", veja o artigo do linguista italiano Alessandro Bausani (1961) "L'esperanto, una lingua che funziona"].

Frequentemente são atribuídas ao Esperanto características que o tornam algum tipo de mutação monstruosa. É desta forma que um professor de línguas americano descreve uma língua assim:

A língua, como o amor e a alma, é algo que é humano e vivo, conquanto difícil seja definir: é um produto natural do espírito de uma raça inteira, e não de um único indivíduo... Línguas artificiais são repulsivas e grotescas, como pessoas com um braço ou perna de metal, ou com um marca-passo costurado ao coração. O Dr. Zamenhof, como o Dr. Frankenstein, criou um monstro feito de pedaços e partes que tinham vida, e, como Mary Shelley tentou nos dizer, nada de bom pode resultar disso. (Arbaiza, 1975, p. 183).

Ou, sem justificativa, dizem que o Esperanto é:

orientado para a supressão gradual das tradições. (Accontini, 1984, p. 5).

Tais julgamentos são ativados por medos irracionais e imaginários que são projetados na língua: em vez de ser estudado como uma realidade linguística, literária, social ou psicológica, o Esperanto é tratado como um tipo de figura quimérica motivada por intenções maliciosas, sem nenhuma percepção do quão delirante, no sentido psiquiátrico do termo, tal atitude é.

c) Racionalização.
Pontos de vista irracionais são justificados por meio de vários argumentos convincentes. Em outras palavras, como no clássico discurso paranoico, os argumentos intelectuais são estritamente lógicos. Somente a falta de uma base na realidade denuncia sua fantasia fundamental.

Por exemplo, atribui-se ao Esperanto o caráter de uma língua indo-europeia analítica flexionada, o que é explicado pelo fato de Zamenhof, assim dizem, só saber línguas indo-europeias. Mas nenhuma dessas afirmações procede. Na realidade:

- Um espaço importante entre as características do Esperanto é ocupado por seu substrato multicultural, no qual as contribuições asiática e húngara têm desempenhado um papel importante (a atividade literária na língua Esperanto entre as duas guerras mundiais desenvolveu-se em grande parte em um cenário húngaro, na chamada escola de Budapeste; o húngaro não é indo-europeu).

- Zamenhof conhecia bem uma língua não indo-europeia: Hebraico, e sua criação carrega a marca disso; por exemplo, o campo semântico do morfema ig tem um equivalente exato, entre as línguas que conhecia, somente no hebraico hif'il (Piron, 1984, p. 26).

- O Esperanto funciona por aglutinação, não por flexão. Assim podem facilmente ser feitas declarações tanto sintéticas como analíticas - é tão aceitável dizer mi biciklos urben como mi iros al la urbo per biciklo [irei à cidade de bicicleta];  pesquisas textuais mostram que as formas sintéticas são muito frequentes - e se é verdade que na fonética e no léxico o Esperanto é indo-europeu, seguramente não o é em sua estrutura: nenhuma língua indo-europeia consiste em morfemas estritamente inalteráveis, tal qual o Esperanto.

d) Isolamento.
O isolamento é o nome dado ao ato de separar algo do seu contexto e fazer julgamentos  desconexos sobre o assunto. Quando um autor diz, sobre línguas:

Acontece também que as línguas nascem, mas nunca a partir do nada: o Esperanto é um fiasco (Malherbe, 1983, p. 368).

esse autor está isolando a língua internacional de seu contexto, tanto histórico como linguístico. Na verdade, o lugar do Esperanto é em uma longa cadeia de experiências e reflexões ao longo de vários séculos. No trabalho de Zamenhof, sua gênese foi gradual, que em muitos aspectos assemelha-se à evolução de uma língua, assim como a gênese de um embrião que evoca a da espécie; esse desenvolvimento gradual é digno de estudo (Waringhien, 1959, pp. 19-49). Por outro lado, os morfemas que o compõem têm suas raízes em outras línguas, não são elementos "criados do nada".

O Esperanto não nasceu do nada, como também não nasceu do nada o Crioulo do Haiti. A linguagem aparece em resposta a uma necessidade. Entre os escravos de várias raças no Caribe cujas línguas eram mutuamente incompreensíveis, houve a necessidade de se comunicar uns com os outros; dessa necessidade nasceu uma linguagem original cheia de cor baseada em grande parte na língua de seus senhores brancos, mas com uma estrutura muito diferente. Da mesma forma, entre 1880 e 1910 uma parte da população do mundo estava ansiosa para fazer contatos com o exterior e estava sedenta por um alargamento de horizontes culturais, mas a aprendizagem de línguas parecia impossível naquelas circunstâncias. Essas pessoas abraçaram o projeto de Zamenhof, e ao usá-lo transformaram-no em uma língua viva. Nem o Crioulo nem Esperanto nasceram do nada; nasceram da mesma força sócio-psicológica: o desejo de dialogar.

Agora consideremos o seguinte texto:

Pegue um pássaro, um dos cisnes do nosso lago por exemplo, despene-o completamente, arranque-lhe os olhos, substitua seu bico chato por um de gavião ou águia, nos tocos de suas pernas faça um enxerto com os pés de uma cegonha, enfie globos oculares de uma coruja na órbita dos olhos (...); agora escreva em suas bandeiras, propague e grite as seguintes palavras: "Eis o pássaro universal", e você vai ter uma pequena ideia do sentimento frio criado em nós por essa carnificina terrível, essa vivissecção mais nauseante, cada vez mais empurrada a nós sob o nome de Esperanto ou língua universal. (Cingria, pp. 1-2).

Deixando de lado o aspecto pitoresco (e ornitológico) dessa citação e as palavras que revelam a extensão da reação emocional ("terrível carnificina", "vivissecção mais nauseante"), restam apenas duas críticas:

a) o Esperanto resulta da intervenção humana em algo vivo;
b) é uma língua heterogênea.

A conclusão do referido autor é racional somente em três condições:

· se a língua fosse um ser vivo, como um animal;

· se a intervenção humana em algo vivo fosse sempre prejudicial;

· se uma língua heterogênea não servisse para a comunicação.

Hipnotizado por seus devaneios, o autor isola sua visão de tais considerações. Ele não consegue perceber que comparar uma língua a uma entidade viva não é mais do que uma metáfora que não deve ser levada muito longe. O pássaro que ele menciona teria sofrido terrivelmente, mas quando a ortografia holandesa passou por uma reforma na década de 40, a língua não gritou nem precisou de anestesia.

Em segundo lugar, o homem frequentemente intervém em coisas vivas com excelentes resultados. A fome poderia ser muito mais dramática da Índia se novos tipos de grãos não tivessem sido produzidos com sucesso graças à intervenção inteiramente consciente do homem na natureza. E nem os cães, nem rosas, nem pão existiriam se o homem não tivesse intencionalmente aplicado seus talentos nas coisas vivas.

Em terceiro lugar, se a heterogeneidade fosse condenável, o Inglês não poderia funcionar de forma satisfatória. Análises linguísticas mostram que na verdade é um idioma mais heterogêneo do que o Esperanto:

Quando examinamos uma língua como o Inglês, percebemos que estamos lidando com várias línguas enroladas em uma. (Lord, 1974, p. 73).

O Esperanto é mais homogêneo porque as leis que regem os elementos absorvidos de fora são mais rigorosas. O que define a heterogeneidade de algo mesclado não é a diversidade de origem dos ingredientes, mas alguma falta de harmonia junto com a falta de um núcleo de assimilação (qualquer um que tentou preparar maionese sabe disso).

3. Ansiedade subjacente

A função dos mecanismos de defesa é proteger o ego da ansiedade. Sua manifestação, sempre que o Esperanto é mencionado, significa que no fundo da psique a língua é sentida como ameaçadora.

a) Medo de mudança no status quo.
Em alguns aspectos, a resistência psicológica contra o Esperanto pode ser comparada com a oposição encontrada pelas ideias de Cristóvão Colombo e Galileu: um mundo estável e bem ordenado viu-se virado de cabeça para baixo pelas novas teorias, o que privou a humanidade de sua fundação milenarmente estabelecida. Da mesma forma, o Esperanto é visto como irritante em um mundo onde cada povo tem sua própria língua, e onde essa ferramenta é passada em massa de seus ancestrais e nenhum indivíduo tem o direito de violá-la. Isso demonstra que uma língua não é necessariamente uma dádiva de séculos passados, mas pode resultar de simples convenção. Tomando como seu critério de correção a não conformidade com a autoridade, mas a eficácia da comunicação, a língua muda a maneira de se inter-relacionar: onde antes havia um eixo vertical, substitui-se por um eixo horizontal. Assim, são esclarecidas questões muito profundas sobre as quais costumeiramente não havia esclarecimento. Por exemplo, o que acontece com a hierarquia linguística por causa disso? Gaélico [irlandês], Holandês, Francês e Inglês não são vistos como iguais na mente das pessoas ou em muitos textos oficiais. Se pessoas de diferentes línguas usarem o Esperanto para se comunicar, essa hierarquia perderá seu fundamento.

b) A língua como um valor sagrado e um sinal de identidade.
A língua não é apenas um fenômeno social externo. É tecida em nossa personalidade. "Eu absorvi o Catalão com o leite da minha mãe", disse uma pessoa questionada no curso da investigação sobre a qual esta análise se baseia.

Nossos conceitos carregam uma carga emocional que a linguística ignora, mas que é vital para a nossa conduta. O núcleo sentimental do conceito de "linguagem" está situado no relacionamento com a mãe, e presumivelmente é por isso que muitas línguas étnicas falam da língua da família como a língua "materna". Entre o bebê que só pode manifestar o seu sofrimento pelo choro, e muitas vezes recebe uma resposta inadequada ou inútil, e uma criança de três anos que usa palavras para explicar o que aconteceu, houve uma enorme mudança, o que a criança sente como algo miraculoso.

Nós éramos muito jovens quando aprendemos a falar para estar cientes de que era apenas um processo cotidiano de aprendizagem que estava ocorrendo. Pareceu-nos uma espécie de dom mágico, um brinquedo divino. Previamente não podíamos explicar nada, e de repente, não sabemos por quê, nos encontramos na posse de um talismã que faz todos os tipos de milagres e enriquece sem precedentes a coisa sem a qual a vida seria impossível: as relações interpessoais.

A necessidade de se sentir compreendido é um dos requisitos básicos de uma criança. Bem, sem a linguagem, o que restaria? A atitude dos pais, seguida pela longa influência da escola, que apresenta a língua como uma norma incontestável e como a chave para todos os tesouros literários, só reforça esse núcleo sentimental. Afirmar, nesse contexto, que uma língua "fabricada" por alguém visto como um contemporâneo - o Esperanto é geralmente confundido com o projeto de Zamenhof - pode funcionar como uma língua materna é um insulto, é roubar o status de talismã mágico que se mantém sempre no fundo da psique, mesmo se em um nível consciente analisamos a questão de forma mais racional. É um sacrilégio inadmissível. Talvez seja para evitar tal profanação que alguns falantes de Esperanto, por uma transferência psicológica bastante compreensível, dizem que o trabalho de Zamenhof é por si mesmo inexplicável e deve ser atribuído à inspiração de uma esfera espiritual superior, sobre-humana.

Na verdade, quando as reações psicológicas evocadas pela palavra "Esperanto" são examinadas, podemos apenas ficar surpreendidos com o número de pessoas que não suportam a ideia de que esta língua poderia ser, em alguns aspectos, melhor do que sua língua nativa. Essa reação vem de uma tendência em igualar uma língua com a pessoa: a minha língua é o meu povo, a minha língua sou eu; se a minha língua é inferior, meu povo é inferior, e eu sou inferior. Ao declarar o Esperanto a priori sem valor, e pronunciar tal julgamento como auto-evidente, a pessoa está a salvo. Esse artifício é profundamente humano e perfeitamente compreensível, mas não aceitável do ponto de vista científico.

c) Diversos medos.
Quando as reações ao Esperanto são examinadas por meio do discurso clínico, todos os tipos de medos subjacentes são revelados, o que não pode ser discutido em detalhe.  Citarei apenas sete:

I. Medo de risco.

Porque nenhum organismo oficial, nenhuma instituição de prestígio reconheceu o valor do Esperanto, apoia-lo é adotar uma postura que se distanciou daquela que parece ser oficial. É menos arriscado repetir o que todos dizem, o que parece estar em consonância com a atitude das pessoas em posição de autoridade e da elite intelectual.

II. Medo do contato direto.

Há algo de tranquilizador no fato de se comunicar por meio de tradução ou de uma língua muito mal compreendida para permitir um intercâmbio direto de ideias em detalhes e com sutileza. Enfrentar atitudes radicalmente diferentes da nossa, em perfeitas condições de comunicação e sem entraves, pode ser uma experiência chocante e perigosamente confusa. Esse medo é justificado, porque o Esperanto existe em nosso meio a um nível mais próximo da expressão espontânea do que outras línguas. Um jovem japonês, que viajou pelo mundo encontrando em cada etapa esperantistas locais, nos diz como ele ficou chocado por esses diálogos diretos com as pessoas que, só porque estavam sendo elas mesmas, e expressavam isso, alteraram toda a perspectiva do conceito de mundo (Deguti, 1973).

III. Medo de regressão infantil.

"Simples" é confundido com "excessivamente simples" ou "infantil", que dá origem à noção de que o Esperanto não pode ser usado para expressar pensamentos realmente adultos no mais alto nível de abstração. Assim, o fator de "simplicidade" é isolado de seu complemento - que modifica totalmente a situação - ou seja, possibilidades ilimitadas de combinação. Por exemplo, a terminação -a, que marca um adjetivo em Esperanto, é muito mais simples do que os muitos sufixos franceses que cumprem o mesmo papel, mas muitas vezes o Esperanto faz a expressão exata possível, visto que muitos nomes franceses não têm uma forma adjetiva, por exemplo, insécurité (Português inseguro, Esperanto nesekura), fait (Português factual, Esperanto fakta), Etats-Unis (Espanhol estadounidense, Português estadunidense, Esperanto usona, que o Esperanto diferencia amerika e nordamerika), ou pays (além de nacia, "da nação", o Esperanto possui landa, "do país"), e assim por diante.

IV. Medo de transparência.

Imagina-se que o Esperanto dotaria o pensamento com uma nitidez insuportável:

O elemento afetivo, tão importante na linguagem, dificilmente encontraria seu lugar nessa língua onde tudo é explícito, essa língua “mais precisa que o pensamento”. (Burney, 1966, p. 94).

É de fato tão possível ser impreciso em Esperanto como em qualquer outra língua, mesmo que seja frequentemente mais fácil falar com clareza na língua de Zamenhof.

V. Medo de desvalorização em relação à facilidade.

Uma solução mais complicada para um problema parece valer mais do que uma simples solução. Escolher a solução difícil preenche algum tipo de desejo de dominação, o que proporciona uma sensação de segurança e conforto da nossa própria importância.

VI. Medo de heterogeneidade.

Esta é uma forma especial da condição conhecida tradicionalmente como "ansiedade de fragmentação”. Porque é fácil para o ser humano se identificar com uma língua, o Esperanto favorece a projeção sobre si das emoções relacionadas com a plenitude da personalidade. Isso é sentido em um nível inconsciente como sendo uma estrutura frágil composta de elementos auto-contraditórios separados, continuamente em perigo de se desintegrar. Como um símbolo de algo insuficientemente forte, porque construído de elementos muito díspares, o Esperanto é assustador.

VII. Medo de níveis inferiores e destruição.

O Esperanto é percebido como um rolo compressor cuja passagem esmaga tudo à morte, aplainando todas as diferenças culturais. Assim projetam-se sobre a língua de Zamenhof elementos psíquicos que pertencem ao que Freud chamou de instinto de morte (Freud, 1920), ou ao núcleo afetivo inconsciente que Charles Baudouin chamou de “automaton”. (Baudouin, 1950, pp. 225-229).

 

4.Conclusão: a função da resistência psicológica

A razão para as reações emocionais observadas no início deste estudo está agora se tornando mais clara: o indivíduo em questão tem medo. Ele está aterrorizado com a ideia de que se destrua ou danifique o tesouro sagrado que brilha com uma beleza mágica nas profundezas do seu psiquismo, a qual nada é permitido ultrapassar: a língua-mãe, símbolo da sua identidade. Como um pássaro em uma sala, que, tomado pelo pânico, não para de se bater contra o vidro da janela e não vê a porta aberta ao lado, ele não tem a serenidade necessária para olhar com calma aquilo que, afinal, é o Esperanto, que parece perverter a própria noção de uma língua. Ele está preso em um círculo vicioso: para deixar de ser assustado, teria que olhar para a realidade de frente, mas para isso é preciso não ter medo.

Este tipo de reação, ilógica mas típica da psicologia humana, não acontece sem a intervenção de fatores políticos e sociais que os meios de comunicação de massa aumentam e divulgam, mas que não podem ser analisados aqui (já falei sobre isso em outro artigo, vd Piron , 1986, pp. 22-28 e 34-36). Eles sugerem uma influência subliminar comparável com as de publicidade e propaganda política, com base na desinformação involuntária que se reproduz automaticamente por um século agora. Não há outra maneira de explicar porque é que as crianças e adolescentes quase nunca mostram a reação negativa a priori facilmente encontrada em adultos, embora todos os elementos psicológicos desencadeadores de mecanismos de defesa destes últimos estejam presentes naqueles também.

Manipulado por seus medos inconscientes, o homem do século XX não vê que antes de julgar o Esperanto é necessário tomar conhecimento de uma série de fatos. Isso pode ser lamentável. Mas de um ponto de vista histórico, pode-se observar que essas reações têm tido um efeito positivo. A aceitação imediata geral do embrião da língua elaborada por Zamenhof teria a submetido a pressões às quais não teria sobrevivido. Nessa fase, ela era muito delicada, muito incompleta. Precisava de uma longa vida em um ambiente limitado mas multicultural para os ajustes necessários serem efetuados, para as áreas semânticas serem definidas, para os pontos fracos serem corrigidos, naturalmente, por meio de uso.

Por outro lado, as relações linguísticas são sempre relações dos fortes sobre os fracos. A ideia de substitui-las por relações igualitárias, que ofereçam às línguas menores e mais fracas o mesmo status da língua dos gigantes econômicos e culturais, tem sido muito chocante para que a humanidade seja capaz de se ajustar de forma incólume e rápida a ela. Transformações nos padrões gerais de pensamento exigem assimilação gradual.

De um século de desafios, de ataques políticos e intelectuais, o Esperanto tem emergido notavelmente forte, flexível e refinado. É caracterizado por uma personalidade fortemente marcada, tão vigoroso como o Francês dos tempos de Rabelais. Esse fato ainda é negado pela maioria das pessoas, mas sempre a priori. Se um escritor se baseia no exame de documentos ou observação do Esperanto no uso prático, ele reconhece sua enorme vitalidade. Embora a resistência social e psicológica tem sido forte por um longo tempo, hoje em dia parece estar cada vez mais sem fôlego e perdendo sua superioridade triunfante. A razão disso não seria porque simplesmente deixou de cumprir sua função?

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Texto original em Esperanto e referências:

http://claudepiron.free.fr/articlesenesperanto/reagoj.htm